Bitcoin despenca ao menor nível desde que Trump assumiu poder
Analistas do Deutsche Bank apontam que a queda foi desencadeada pela nomeação de Kevin Warsh para o Federal Reserve. A expectativa é que ele mantenha juros altos, prejudicando ativos especulativos como criptomoedas.
O bitcoin acumula 32% de baixa nos últimos 12 meses. Outras criptomoedas como ethereum e solana caíram 37% em 2026. O mercado perdeu US$ 2 trilhões desde outubro.
O Deutsche Bank avalia que o bitcoin está deixando de ser "ativo puramente especulativo" para buscar "seu papel específico" no sistema financeiro.
O envolvimento direto de Trump no setor havia dado grande impulso ao ativo. Uma das primeiras ações do presidente ao retornar à Casa Branca em janeiro de 2025 foi publicar uma ordem executiva com o objetivo de tornar os EUA a "capital mundial das criptomoedas".
Durante seu primeiro ano de volta ao cargo, Trump lançou sua própria criptomoeda, com a maior parte dos lucros direcionados para suas empresas. Ele também manteve envolvimento com a World Liberty Financial, um veículo de investimento para outros ativos cripto pertencente à família Trump.
O governo Trump implementou várias medidas pró-criptomoedas. Sancionou uma lei para dar respaldo federal às criptomoedas, dissolveu uma equipe do Departamento de Justiça focada na aplicação da regulamentação de criptomoedas, e a Comissão de Valores Mobiliários (SEC) abandonou o trabalho de fiscalização e investigações relacionadas ao setor.
Em novembro, democratas do Comitê Judiciário do Senado criticaram a "agenda pró-criptomoedas" de Trump, observando que o presidente acumulou participações em criptomoedas no valor de mais de US$ 11 bilhões e obteve renda pessoal de US$ 800 milhões com transações desde que assumiu o cargo.
Com a queda registrada na quinta-feira, o bitcoin acumula 32% de baixa nos últimos 12 meses, aproximando-se de patamares registrados no início de 2024 e em 2021. A criptomoeda mais conhecida e valiosa do mundo enfrenta sua pior fase desde que ganhou apoio político explícito.
Analistas do Deutsche Bank afirmaram que a queda mais recente foi "desencadeada" pela nomeação de Kevin Warsh por Trump como novo presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA). Alguns acreditam que Warsh adotará uma abordagem mais "agressiva", mantendo as taxas de juros mais altas, enquanto uma política monetária mais expansionista favoreceria investimentos em ativos como criptomoedas.
A cotação do bitcoin tem apresentado tendência de queda nos últimos quatro meses, com crescente sentimento negativo em relação às criptomoedas de modo geral. "Essa venda constante sinaliza que os investidores tradicionais estão perdendo interesse, e o pessimismo geral em relação às criptomoedas está crescendo", afirmou o Deutsche Bank.
O banco alemão não acredita que as criptomoedas vão desaparecer, mas também não prevê que o bitcoin volte às altas impulsionadas por Trump. Segundo a instituição, a moeda digital está passando de um "ativo puramente especulativo" para uma fase mais realista, como um ativo que "precisa encontrar seu papel específico".
William Barhydt, da Abra Capital Management, concorda que as criptomoedas estão amadurecendo, mas espera recuperação dos preços. "Não consigo imaginar como isso não aconteceria", disse, observando que esta não é a primeira vez que o bitcoin apresenta oscilações significativas.
Outras criptomoedas populares como ethereum e solana tiveram quedas ainda maiores, com preços caindo cerca de 37% em 2026. Segundo a CoinGecko, o mercado perdeu mais de US$ 1 trilhão em valor apenas no último mês e US$ 2 trilhões desde o pico de outubro.