STF mantém prisão de Vorcaro por unanimidade enquanto Gilmar critica método do relator
A Segunda Turma do STF manteve por unanimidade a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O ministro Gilmar Mendes foi o último a votar e acompanhou o relator André Mendonça — mas criticou a fundamentação usada, comparando as expressões do voto de Mendonça aos "clichês" da Lava Jato.
Vorcaro está preso desde 4 de março, acusado de liderar uma milícia privada para intimidar adversários e obstruir investigações da PF. Esta semana, assinou termo de confidencialidade com a PGR e a PF — primeiro passo para um possível acordo de delação premiada. O caso tem ramificações sensíveis: conversas vazadas do celular do banqueiro apontam suposta proximidade com o ministro Alexandre de Moraes, que nega. Toffoli se afastou do julgamento após reportagens revelarem ligações de uma empresa familiar sua com o banco investigado.
A Segunda Turma do STF manteve por unanimidade a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — mas o placar unânime veio acompanhado de críticas internas ao método do relator do caso.
O ministro Gilmar Mendes, último a votar, acompanhou André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques, formando unanimidade. Dias Toffoli, também integrante da turma, havia se declarado suspeito na semana anterior e ficou fora. A maioria já havia se formado em 13 de março, e o voto de Gilmar apenas confirmou o resultado.
No entanto, Gilmar fez questão de criticar a fundamentação de Mendonça. Afirmou que o uso de expressões como "confiança social na Justiça" e "pacificação social" era "desnecessário" e alertou sobre o risco de "clichês que serviriam para justificar a prisão de qualquer pessoa acusada de um crime". Fez referência explícita à Lava Jato como exemplo histórico dos riscos desse tipo de linguagem.
Vorcaro está preso desde 4 de março por decisão de Mendonça, após a PF indicar que o banqueiro mantinha uma milícia privada para intimidar adversários e cooptar servidores do Banco Central. Esta semana, ele assinou termo de confidencialidade com a PGR e a PF — primeiro passo para um possível acordo de delação premiada com potencial de atingir "grandes autoridades".
O caso tem ramificações que chegam ao próprio STF. Conversas vazadas do celular de Vorcaro indicariam proximidade com o ministro Alexandre de Moraes, que negou o conteúdo das mensagens. A esposa de Moraes manteve contrato de R$ 129 milhões com o Master, fato revelado em 2025. Toffoli se afastou após reportagens mostrarem ligação de uma empresa familiar sua com um fundo do banco. O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro e é investigado por fraudes bilionárias.
A Segunda Turma do STF formou unanimidade nesta sexta-feira para manter a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — mas o placar unânime não escondeu um racha interno sobre como justificar a detenção.
O ministro Gilmar Mendes foi o último a votar e acompanhou o relator André Mendonça, assim como Luiz Fux e Nunes Marques. O ministro Dias Toffoli, também integrante da turma, havia se declarado suspeito na semana anterior e ficou fora do julgamento. Com o voto de Gilmar, a maioria que havia se formado em 13 de março foi confirmada e a prisão de Vorcaro está mantida.
Mas Gilmar não poupou críticas à fundamentação usada por Mendonça. No voto, o ministro afirmou que o uso de conceitos como "confiança social na Justiça", "pacificação social" e "resposta célere do sistema de Justiça" era "desnecessário" para justificar a prisão preventiva. "Algumas das expressões usadas na decisão ora submetida a referendo são um retrato do que esses dispositivos buscam combater: o recurso a clichês que serviriam para justificar a prisão de qualquer pessoa que é acusada de um crime", escreveu.
Gilmar foi além e citou a Lava Jato como exemplo histórico dos riscos desse tipo de linguagem. "Essas mesmas fórmulas foram indevidamente invocadas pela força-tarefa da Lava Jato para justificar os mais variados abusos e arbitrariedades contra aqueles que, ao talante dos investigadores, eram escolhidos como alvos de persecução penal ancorada em razões políticas e ideológicas", afirmou.
Vorcaro está preso pela segunda vez desde 4 de março, quando André Mendonça decretou nova prisão preventiva após investigações da Polícia Federal indicarem que o banqueiro mantinha uma suposta milícia privada para intimidar adversários — entre eles concorrentes empresariais, ex-funcionários e jornalistas — e cooptar servidores da alta hierarquia do Banco Central. O grupo se comunicava por um grupo de WhatsApp chamado "A Turma". Dois integrantes foram presos na mesma operação: o ex-policial Marilson Roseno e Luiz Phillipi Mourão, chamado de "Sicário", que se suicidou na prisão após ser detido.
Esta semana, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República e com a PF — o primeiro passo formal para um possível acordo de delação premiada que, segundo investigadores, poderia atingir "grandes autoridades". Na quinta-feira, ele foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF, por determinação de Mendonça.
O caso ganhou uma camada adicional de complexidade com o vazamento de conversas do celular de Vorcaro para a imprensa, revelando suposta proximidade com o ministro Alexandre de Moraes e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Moraes negou ter recebido as mensagens e afirmou que perícia técnica do STF comprovou que o destinatário não seria ele. O jornal O Globo, por sua vez, publicou reportagem contestando essa versão. A polêmica já existia antes: em 2025, o mesmo jornal revelou que a esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, havia mantido contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master.
Quanto a Toffoli, a decisão de se afastar veio após reportagens revelarem que uma empresa sua e de seus irmãos, a Maridt Participações, recebeu pagamentos de um fundo ligado ao Master pela venda de parte do resort Tayayá, no Paraná. Inicialmente, a hipótese de suspeição havia sido afastada por decisão coletiva dos ministros. Toffoli então decidiu se declarar suspeito "por motivo de foro íntimo", sem detalhar as razões — o que é permitido pelo Código de Processo Civil.
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro e é investigado por fraudes bilionárias. O caso é um dos mais sensíveis no STF no momento — com implicações que alcançam o próprio tribunal.