Guerra no Irã derruba oferta global de energia e eleva preços do petróleo ao gás
A guerra entre EUA, Israel e Irã está na quarta semana — e o choque nos preços globais de energia já é amplo. O fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego de petroleiros e os ataques a instalações no Golfo derrubaram a oferta em várias frentes simultaneamente.
Petróleo, gás, carvão, querosene de aviação e combustível marítimo subiram. O caso mais grave é o Catar: ataques danificaram instalações responsáveis por 17% de sua capacidade de exportação de GNL — e os reparos devem levar até cinco anos. O gás na Europa atingiu o maior nível desde a invasão da Ucrânia em 2022. A gasolina nos EUA chegou a US$ 3,88 por galão, maior patamar em três anos.
Quem viaja com frequência já deve se preparar para passagens mais caras, principalmente na Ásia. E o impacto não para na bomba de gasolina: com a cadeia petroquímica do Oriente Médio afetada, produtos com plástico também devem encarecer nos próximos meses.
Quatro semanas de conflito entre EUA, Israel e Irã já produziram um abalo amplo nos preços globais de energia — e os sinais apontam para efeitos que devem durar anos. O fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego de petroleiros e os ataques a instalações no Golfo Pérsico estão comprimindo a oferta em múltiplas frentes ao mesmo tempo.
O petróleo bruto subiu, mas de forma desigual. O Brent — referência internacional — acelerou mais do que o WTI americano, que tem maior isolamento das perturbações do Golfo. Nos EUA, mesmo com esse colchão, a gasolina chegou a US$ 3,88 por galão, o maior patamar em três anos.
O choque mais grave pode estar no gás natural. O Catar, que responde por cerca de um quinto da oferta mundial de GNL, teve instalações danificadas que representam 17% de sua capacidade de exportação — e os reparos devem levar até cinco anos, segundo a QatarEnergy. Os preços do gás na Europa atingiram o maior nível desde a invasão da Ucrânia em 2022. Em Singapura, o querosene de aviação está no maior patamar em quase duas décadas, o que pressiona as passagens aéreas — especialmente na Ásia.
O carvão também subiu, puxado pela alta do gás: com o combustível fóssil concorrente mais caro, a demanda por carvão cresce junto. Na Austrália, os preços atingiram o maior nível em um ano e meio.
No lado dos produtos industriais, o etileno — base para a fabricação de plásticos — registrou alta de preço com a interrupção das cadeias petroquímicas no Oriente Médio. A conta final chega ao consumidor em tudo que usa plástico.
O dano de longo prazo ao Catar é o fator que diferencia este choque de perturbações anteriores: cinco anos de reparo nas instalações de GNL significam uma reconfiguração do mercado global de gás por meia década.
O conflito entre EUA e Israel contra o Irã entra na quarta semana — e os efeitos sobre os preços globais de energia já são amplos o suficiente para preocupar desde companhias aéreas até fábricas de plástico. O fechamento do Estreito de Ormuz ao tráfego de petroleiros e os ataques a instalações energéticas no Golfo Pérsico estão restringindo a oferta em cascata.
O petróleo bruto subiu com força, mas de forma desigual. O Brent, referência internacional, acelerou mais do que o WTI americano — reflexo direto de o mercado dos EUA estar mais isolado das perturbações no Golfo. O desconto do WTI em relação ao Brent atingiu o maior nível desde 2014, época em que os americanos ainda proibiam exportações de petróleo bruto. Para o motorista americano, mesmo com esse colchão, o impacto foi inevitável: o preço médio da gasolina comum chegou a US$ 3,88 por galão — o maior em mais de três anos, revertendo queda que havia chegado ao menor nível em cinco anos em janeiro.
O gás natural é outro epicentro do choque. O Catar, responsável por cerca de um quinto da oferta mundial de gás natural liquefeito (GNL), sofreu ataques que danificaram instalações responsáveis por 17% de sua capacidade de exportação. A QatarEnergy informou que os reparos devem levar até cinco anos. O resultado imediato foi sentido nos mercados europeus: os preços do gás no continente atingiram o maior patamar desde a invasão russa da Ucrânia em 2022. Medido por unidade térmica britânica, o gás europeu custa quase sete vezes mais do que o americano — diferença que reflete a abundância de oferta dos EUA via fraturamento hidráulico.
O carvão, ainda a maior fonte mundial de energia elétrica apesar do avanço do gás e das renováveis, também subiu. O mecanismo é indireto: com o gás mais caro, a demanda por carvão aumenta, e os preços seguem junto. Na Austrália, referência global para esse mercado, o carvão atingiu o nível mais alto em um ano e meio.
A aviação sofre pressão adicional. A queda na produção de petróleo bruto priva as refinarias da matéria-prima para fabricar querosene de aviação — e as passagens aéreas devem ficar mais caras, sobretudo na Ásia. Em Singapura, o preço do querosene atingiu o maior nível em quase duas décadas. O combustível marítimo no mesmo porto chegou ao patamar mais alto em pelo menos uma década.
Nem os produtos do cotidiano escapam. O etileno, matéria-prima essencial para a produção de plásticos, registrou alta de preço com a interrupção petroquímica no Oriente Médio — região que concentra grandes produtores desses insumos. Brinquedos, embalagens e itens de consumo geral entram na lista de produtos que devem ficar mais caros nos próximos meses.
O ponto de atenção de longo prazo é o dano ao Catar. Cinco anos para reparar as instalações de GNL não é um choque passageiro — é uma reconfiguração do mercado global de gás por meia década, com consequências para importadores europeus e asiáticos que dependem dessas rotas de abastecimento.