Eneva e Copel saem do maior leilão de energia do país com bilhões em perspectiva
O Brasil bateu o recorde histórico de contratação de energia: 19 gigawatts negociados em um único leilão de reserva de capacidade. Eneva e Copel foram as grandes vencedoras — e os bancos já revisaram os preços-alvo das duas empresas para cima.
A Eneva assinou contratos com plano de investimentos de R$ 18,2 bilhões em novos clusters de termelétricas a gás. Bradesco BBI elevou o preço-alvo de R$ 26 para R$ 32; Goldman Sachs, de R$ 25 para R$ 30. Ambos mantêm recomendação de compra. A grande incógnita é a confirmação de isenção tributária na transição para o novo sistema fiscal, que pode adicionar R$ 3,7 bilhões em valor presente líquido.
A Copel contratou 1,86 GW em hidrelétricas greenfield, com potencial de valor estimado em R$ 5,7 bilhões. Goldman elevou o preço-alvo de R$ 14 para R$ 17.
O leilão sinaliza uma aposta estrutural do setor elétrico brasileiro em capacidade firme para sustentar uma demanda que deve crescer nos próximos anos.
O Brasil realizou o maior leilão de energia de sua história na semana passada, negociando 19 gigawatts em novos contratos para termelétricas e hidrelétricas. Eneva e Copel foram as principais vencedoras — e os bancos já revisaram suas projeções para cima.
A Eneva fechou contratos que envolvem dois novos clusters de termelétricas a gás, com plano de investimentos estimado em R$ 18,2 bilhões. O Bradesco BBI elevou o preço-alvo das ações de R$ 26 para R$ 32, com potencial de valorização de 26%. O Goldman Sachs foi de R$ 25 para R$ 30, ambos com recomendação de compra.
O ponto que mais movimenta as análises é regulatório: a possível isenção tributária sobre a receita fixa dos projetos na transição para o novo sistema CBS/IBS, que substitui o PIS/Cofins a partir de 2027. Se confirmada, o impacto seria de R$ 3,7 bilhões em valor presente líquido para a Eneva. A entrada de sócios minoritários nos novos projetos — até 49% em alguns ativos — reduz parte desse ganho, em cerca de R$ 3,3 bilhões.
Os bancos apontam ainda para fontes de valor ainda não precificadas: capacidade excedente em terminais de GNL, com potencial de receita com venda de gás a terceiros, e despacho incremental de usinas que operam com gás próprio mais barato do que o custo declarado. As margens esperadas nos novos projetos ficam entre 65% e 85%.
A Copel contratou 1,86 GW em expansões hidrelétricas greenfield — nas usinas FDA e Segredo —, com potencial de geração de valor estimado em R$ 5,7 bilhões. O Goldman elevou o preço-alvo de R$ 14 para R$ 17, citando uma combinação positiva de crescimento e aumento de remuneração aos acionistas.
O leilão marca uma virada na estratégia do setor elétrico brasileiro: contratar capacidade firme em volume expressivo para atender uma demanda crescente nos próximos anos.
O Brasil acaba de realizar o maior leilão de energia da sua história. O chamado leilão de reserva de capacidade (LRCAP) negociou 19 gigawatts em novos contratos para usinas termelétricas e hidrelétricas — e duas empresas saíram como as maiores vencedoras: Eneva (ENEV3) e Copel (CPLE3). Agora os bancos revisam suas projeções para cima e o mercado tenta precificar o tamanho real do ganho.
A Eneva foi a grande protagonista. A empresa arrematou contratos que incluem dois clusters de termelétricas a gás inteiramente novos, infraestrutura associada e ativos já existentes, com um plano de investimentos estimado em R$ 18,2 bilhões. Para quem acompanha o setor elétrico, esse número coloca a Eneva em uma nova escala de operação.
O banco Bradesco BBI foi um dos primeiros a revisar suas estimativas. A análise central do BBI gira em torno de um ponto regulatório ainda em aberto: a possível isenção tributária sobre a receita fixa dos projetos contratados no leilão, decorrente da transição para o novo sistema tributário CBS/IBS, que substituirá o PIS/Cofins a partir de 2027. Se essa isenção for confirmada — e os ativos da Eneva já se enquadram como isentos no modelo atual —, o impacto seria positivo em R$ 3,7 bilhões em valor presente líquido, o equivalente a cerca de R$ 2,10 por ação, ou aproximadamente 8% do valor de mercado da empresa.
Há, porém, um fator que reduz parte desse ganho: a entrada prevista de sócios minoritários nos novos projetos — até 30% no hub do Ceará e até 49% nos ativos do Sudeste. Essa diluição retira cerca de R$ 3,3 bilhões da equação. O BBI ajustou o capex projetado para R$ 16,8 bilhões, excluindo R$ 1,4 bilhão já desembolsado. As margens esperadas ficam entre 65% e 85%.
O banco identificou ainda potenciais fontes adicionais de valor que não estão precificadas: capacidade excedente em um dos novos terminais de GNL, que pode gerar receitas com venda de gás a terceiros, e o despacho incremental de usinas como Parna I e III, que têm custo variável unitário elevado — R$ 800 por MWh — mas operam com gás próprio mais barato, ampliando a margem. Com base nesses ajustes, o BBI elevou o preço-alvo da Eneva de R$ 26 para R$ 32 por ação até o fim de 2026, implicando um potencial de valorização de 26%. Mesmo no cenário conservador, com pagamento integral de tributos, o valor justo seria de R$ 30, ainda com upside próximo de 20%.
O Goldman Sachs seguiu na mesma direção. O banco elevou o preço-alvo da Eneva de R$ 25 para R$ 30, mantendo recomendação de compra. O Goldman incorporou os polos Ceará e Sudeste nos seus modelos com margem Ebitda de 70% a 80%, incentivos fiscais da Sudene para o projeto cearense e capex total greenfield de R$ 18,2 bilhões. A visão do banco é que a Eneva é uma "alocadora de capital de primeira linha", com portfólio flexível bem posicionado para atender a crescente demanda por capacidade térmica no sistema elétrico brasileiro.
A Copel também saiu ganhando — em escala menor, mas relevante. A empresa contratou 1,86 GW em projetos hidrelétricos greenfield, com expansões nas usinas FDA e Segredo, gerando potencial de valor estimado em R$ 5,7 bilhões. O Goldman elevou o preço-alvo da Copel de R$ 14 para R$ 17, mantendo recomendação de compra. A lógica do banco: a empresa combina crescimento com aumento da remuneração aos acionistas.
O que o leilão revelou, na prática, é um setor elétrico que aposta em capacidade firme — terméletricas e hidrelétricas confiáveis — para dar suporte a uma demanda que não para de crescer, puxada, entre outros fatores, pelos data centers e pela eletrificação da economia. Os 19 GW contratados em uma única rodada são um sinal do tamanho do déficit de capacidade que o Brasil precisava endereçar.