Guerra no Oriente Médio pode levar barril de petróleo a US$ 200
A guerra entre EUA, Israel e Irã pode levar o petróleo a US$ 200 por barril — se o Estreito de Ormuz continuar bloqueado até junho. A projeção é do banco Macquarie Group, que dá 40% de chance a esse cenário. O Brent já subiu 53% desde o início do conflito e fechou a última sexta-feira em US$ 112,57.
O estreito é o maior corredor de petróleo do mundo: antes da guerra, passavam por ali 15 milhões de barris por dia. Com o bloqueio iraniano, o mercado global opera com um déficit estimado em 4 a 5 milhões de barris diários. O Morgan Stanley projeta Brent entre US$ 150 e US$ 180 em um cenário intermediário.
As negociações entre EUA e Irã não avançaram — Teerã rejeitou a última proposta americana como "unilateral e injusta". Para o brasileiro, a conta chega nos combustíveis, nos fretes e na inflação.
O barril de petróleo Brent pode chegar a US$ 200 se a guerra entre EUA, Israel e Irã durar até junho e o Estreito de Ormuz continuar fechado. A projeção é do banco Macquarie Group, que atribui 40% de probabilidade a esse cenário extremo. Para os outros 60%, o banco estima que o conflito pode terminar ainda em março.
O Estreito de Ormuz é o principal corredor de petróleo do mundo. Antes da guerra, passavam por ali cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto por dia. Com o bloqueio imposto pelo Irã, os preços dispararam: o Brent subiu 53% desde 27 de fevereiro, encerrando a última sexta-feira a US$ 112,57 por barril. O WTI americano fechou a US$ 99,64 — e chegou a tocar US$ 100 durante o pregão.
O Morgan Stanley trabalha com projeções entre US$ 150 e US$ 180 para o Brent — patamar que, segundo o banco, exigiria uma forte destruição de demanda global. Segundo especialistas da StoneX, a interrupção do Golfo Pérsico deve criar um déficit de 4 a 5 milhões de barris por dia no mercado global.
No campo diplomático, as negociações entre EUA e Irã não avançaram: uma proposta americana transmitida via Paquistão foi descrita por Teerã como "unilateral e injusta". Enquanto o impasse persiste, o mercado mantém um prêmio de risco elevado nos preços.
Para o consumidor brasileiro, a alta do petróleo pressiona combustíveis, fretes e energia — o que alimenta a inflação. O Brasil também figura como produtor capaz de compensar parte da oferta global reduzida, o que representa uma oportunidade para as exportações, mas não isola o país dos efeitos da crise.
O barril de petróleo Brent pode chegar a US$ 200 se a guerra entre EUA, Israel e Irã se prolongar até junho — e se o Estreito de Ormuz continuar bloqueado. A projeção é do banco de investimentos Macquarie Group, que atribui 40% de probabilidade a esse cenário. Para os outros 60%, o banco avalia que o conflito pode ser encerrado ainda em março.
O Estreito de Ormuz é o principal corredor de escoamento de petróleo do mundo. Antes do conflito, passavam por ali cerca de 15 milhões de barris de petróleo bruto e 5 milhões de barris de derivados por dia. Com o fechamento imposto pelo Irã, esse fluxo foi severamente reduzido — e os preços reagiram. O Brent subiu 53% desde 27 de fevereiro, um dia antes dos ataques dos EUA e Israel ao Irã. O WTI, referência americana, avançou 45% no mesmo período.
Somente na última sexta-feira, o Brent fechou a US$ 112,57 por barril — alta de 4,2% no dia. O WTI encerrou a US$ 99,64, com ganho de 5,5%. Durante o pregão, o petróleo americano chegou a tocar a marca de US$ 100.
O Morgan Stanley trabalha com um cenário alternativo menos extremo, mas igualmente preocupante: o Brent entre US$ 150 e US$ 180 por barril — patamar que, segundo o banco, exigiria uma forte destruição de demanda global para reequilibrar o mercado.
Para Bruno Cordeiro, especialista em energia da StoneX, o cenário antes da guerra apontava para um mercado superavitário em 2026, com avanço da oferta pela OPEP+ e por produtores como Brasil, Canadá, Argentina e Guiana, além de expectativa de desaceleração da demanda. O conflito inverteu esse quadro: a interrupção do escoamento do Golfo Pérsico deve criar um déficit entre 4 e 5 milhões de barris por dia.
Segundo Cordeiro, mesmo considerando a liberação de estoques estratégicos pela Agência Internacional de Energia (AIE) e uma retração da demanda por políticas públicas de contenção do consumo, o efeito sobre os preços é significativo. "A falta de um acordo entre EUA e Irã deve resultar na manutenção de preços mais elevados do petróleo, sem uma expectativa concreta sobre quanto as cotações podem subir", afirmou. Por outro lado, qualquer entendimento entre as partes e reabertura do estreito poderia provocar "uma trajetória de queda acelerada", na avaliação do especialista.
No campo diplomático, os sinais são mistos. O presidente Trump fez declarações sobre negociações com o Irã, mas uma autoridade iraniana disse à Reuters que uma proposta americana — transmitida por meio do Paquistão — era "unilateral e injusta". Alex Hodes, analista da StoneX, resume o humor do mercado: "Os investidores continuam focados na longevidade da guerra e não nas manchetes, com qualquer fechamento prolongado do estreito ou danos à infraestrutura mantendo um prêmio de risco significativo nos preços."
Para o Brasil, o impacto é duplo. O país figura como um dos produtores que poderiam, em tese, compensar parte da oferta reduzida — o que representa uma oportunidade para as exportações. Mas a disparada dos preços também pressiona custos internos, de combustíveis a fretes e energia, afetando a inflação e o poder de compra do consumidor brasileiro.