Ouro despenca 22% do pico mesmo com guerra no Irã em curso
O ouro caiu 22% desde o pico histórico de US$ 5.586 atingido em janeiro — mesmo com a guerra no Irã em andamento. No final de março, o metal chegou a US$ 4.348 a onça, surpreendendo analistas e derrubando fundos que apostavam na alta.
O paradoxo tem explicação: países do Oriente Médio com receitas de petróleo afetadas pelo conflito estão vendendo ouro para fazer caixa. Ao mesmo tempo, posições especulativas acumuladas durante a alta estão sendo desmontadas em cascata. E com juros altos nos EUA, manter um ativo que não paga rendimentos fica menos atrativo.
Analistas projetam correção até US$ 4.200 no curto prazo, mas mantêm visão positiva para o longo prazo — déficit fiscal americano crescente e compras por bancos centrais emergentes sustentam a demanda estrutural. Para quem pensa em entrar agora via ETFs na B3, a recomendação é aportar de forma gradual, não de uma vez.
O ouro deveria estar subindo com a guerra no Irã. Em vez disso, o metal acumula queda de 22% desde o pico histórico de US$ 5.586,20 registrado em 29 de janeiro — chegando a US$ 4.348,20 no final de março. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, a perda já passa de 16%. Fundos de investimento que apostavam na alta sofreram perdas relevantes.
A explicação contraintuitiva envolve três fatores simultâneos. Primeiro, países produtores do Oriente Médio com receitas de petróleo comprometidas pela guerra estão liquidando ouro para cobrir necessidades imediatas de caixa — uma venda forçada, não estratégica. Segundo, o posicionamento especulativo em ETFs de ouro havia crescido muito nos meses anteriores ao pico; quando os preços cederam, essas posições foram desmontadas em cascata. Terceiro, o Federal Reserve mantém juros elevados nos EUA, elevando o custo de oportunidade de manter um ativo que não paga rendimentos.
A isso se soma um movimento de realização de lucros: investidores que não costumavam operar ouro entraram no mercado atraídos pelos recordes históricos e saíram ao primeiro sinal de queda.
No curto prazo, analistas projetam que a correção pode continuar até o nível de US$ 4.200 a onça. A duração do conflito no Irã é a principal incerteza — o fechamento do Estreito de Ormuz ou uma escalada regional poderiam alterar o cenário.
No médio e longo prazo, a visão permanece positiva: déficit fiscal americano crescente, compras contínuas de ouro por bancos centrais emergentes e aumento dos gastos globais com defesa sustentam a demanda estrutural pelo metal.
Para o investidor brasileiro, analistas recomendam entrada gradual — não concentrada — caso o objetivo seja exposição de longo prazo. ETFs de ouro na B3 (OURO11, GOLD11, entre outros) oferecem acesso direto sem necessidade de custódia física. Quem prefere o curto prazo pode aguardar em renda fixa enquanto os juros americanos seguem pressionados.
O ouro deveria estar subindo. Em tese, uma guerra no Oriente Médio é exatamente o tipo de evento que empurra investidores para o metal — considerado porto seguro em momentos de instabilidade. Mas o que está acontecendo é o oposto: desde o pico histórico de US$ 5.586,20 a onça-troy, registrado em 29 de janeiro, o metal acumula queda de 22%, chegando a US$ 4.348,20 no final de março. Desde o início do conflito com o Irã, em 28 de fevereiro, a perda já passa de 16%.
A queda pegou de surpresa grandes fundos de investimento que apostavam na alta do metal — e contribuiu para perdas relevantes em vários portfólios multimercados ao redor do mundo.
Por que o ouro está caindo no meio de uma guerra?
Analistas identificam ao menos três mecanismos simultâneos que explicam o movimento.
O primeiro é a venda forçada. Países produtores do Oriente Médio, com receitas de petróleo e gás comprometidas pelo conflito, precisam de caixa — e estão liquidando ativos de alta liquidez, incluindo ouro e títulos do Tesouro americano. "É uma venda forçada por necessidade de liquidez, não uma decisão de alocação estratégica", explica Danilo Moreno, analista da Investo.
O segundo fator é o desmonte especulativo. Nos meses anteriores ao pico, o posicionamento em ETFs de ouro havia crescido de forma acelerada. Quando os preços começaram a ceder, essas posições foram desmontadas em cadeia. "Quando os preços começam a ceder, essas posições tendem a ser desmontadas rapidamente, criando um efeito cascata que amplifica a queda", diz Moreno.
O terceiro elemento é macroeconômico: o Federal Reserve mantém cautela no ritmo de cortes de juros, e os rendimentos dos títulos americanos voltaram a subir. Como o ouro não paga juros, o custo de oportunidade de mantê-lo aumenta — o que afasta investidores.
Robin Brooks, ex-estrategista-chefe de câmbio do Goldman Sachs, acrescenta um quarto ângulo: a base de investidores se ampliou demais durante a alta. Hedge funds e investidores de varejo que não costumavam operar ouro entraram no mercado atraídos pelos recordes. Com o aumento da incerteza, realizaram lucros — e alguns precisaram vender o metal para cobrir perdas em bolsas que também despencaram.
O que esperar daqui para frente?
No curto prazo, a volatilidade deve persistir. A duração do conflito no Irã é a principal variável: o país ainda pode acirrar o confronto fechando o Estreito de Ormuz ou atacando outros países da região. "As coisas tendem a caminhar para uma solução, mas é difícil saber quando", avalia Marcos Praça, diretor de Análises da Zero Markets.
Para Rodrigo Marques, economista-chefe da Nest Asset, a correção deve prosseguir até o nível de US$ 4.200 a onça antes de estabilizar. Isso representaria uma queda adicional de cerca de 3% em relação aos preços do final de março.
No médio e longo prazo, os analistas consultados mantêm visão positiva. O crescimento dos gastos globais com defesa, o déficit fiscal americano em trajetória ascendente e a compra contínua de ouro por bancos centrais de países emergentes — que buscam reduzir a dependência do dólar — sustentam a demanda estrutural pelo metal. O ouro saiu de US$ 2 mil a onça em 2024 para mais de US$ 4 mil atualmente, mesmo após a correção recente.
Para o investidor brasileiro
Quem pensa em entrar agora deve considerar o momento como uma possível janela — mas com cautela. A recomendação de analistas é fazer uma entrada gradual, e não concentrada. "Para quem ainda não tem ouro na carteira, esse ajuste de preços pode representar um ponto de entrada mais interessante do que as máximas recentes", avalia Moreno, que recomenda aportes parciais diante da volatilidade ainda presente.
Para quem prefere manter liquidez no curto prazo, Praça aponta os títulos de renda fixa — prefixados, atrelados à inflação ou mesmo a Selic via LFTs — como alternativa mais adequada enquanto o ambiente de juros altos nos EUA persistir. O investidor brasileiro tem acesso ao metal via ETFs negociados na B3, como OURO11, AURO11, GOLD11, GOLX11 e GOLB11, que variam conforme o preço do metal no exterior e a cotação do dólar.