IOF freia captação da previdência privada, mas setor descarta colapso
A captação da previdência privada encolheu 36,8% no acumulado até julho de 2026 — queda diretamente ligada ao IOF instituído em junho de 2025, que incide sobre aportes acima de R$ 600 mil por ano em planos VGBL.
Para o setor, o impacto é real, mas administrável. A leitura de Vinicius Albernaz, do Mio Vinci Compass, é que o mercado está se reacomodando: quem antes fazia grandes aportes de uma vez está passando a contribuir periodicamente ao longo do ano. A importância da previdência como ferramenta de planejamento financeiro de longo prazo não muda — só muda a forma de usar.
Do lado positivo, duas mudanças regulatórias recentes devem ajudar a ampliar a base de investidores: a possibilidade de escolher o regime de tributação no resgate (e não só na contratação) e a abertura para planos corporativos no modelo *option-out*, em que o trabalhador entra automaticamente no plano da empresa. Para um país onde apenas 11,2 milhões de pessoas investem em previdência privada, o espaço para crescer ainda é considerável.
A captação líquida dos planos de previdência privada caiu 36,8% nos sete primeiros meses de 2026, totalizando R$ 7,3 bilhões — bem abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. O recuo está diretamente ligado ao IOF, que desde junho de 2025 incide sobre aportes acima de R$ 600 mil por ano em planos VGBL, independentemente de quantas seguradoras sejam usadas.
Para Vinicius Albernaz, do Mio Vinci Compass, o impacto é real, mas não dramático. Na avaliação dele, o mercado está em processo de reacomodação: investidores que faziam aportes concentrados agora migram para contribuições periódicas ao longo do ano — o que mantém a utilidade do produto, mas muda o perfil de captação da indústria. "A medida não muda a importância do produto como ferramenta de planejamento no longo prazo", afirmou.
Dois avanços regulatórios recentes equilibram o cenário. A Lei 14.803/2024 passou a permitir que o investidor escolha o regime de tributação — progressivo ou regressivo — no momento do resgate, e não mais apenas na hora de contratar o plano. E a Resolução CNPC nº 60/2024 abriu caminho para planos corporativos no modelo *option-out*, em que o funcionário entra automaticamente e só sai se pedir. Albernaz defende o formato como padrão e aposta nele para crescer: o Mio já atua com 20 empresas, alcançando cerca de 15 mil trabalhadores.
O desafio estrutural mais amplo permanece: apenas 11,2 milhões de brasileiros investem em previdência privada num país de mais de 214 milhões de habitantes. Educação financeira e modernização tecnológica são apontadas como os principais obstáculos para ampliar esse universo.
A cobrança do IOF sobre planos de previdência privada está deixando marcas nos números da indústria — mas o setor avalia que o impacto, por enquanto, não é catastrófico. A captação líquida dos planos de previdência nos sete primeiros meses de 2026 somou R$ 7,3 bilhões, uma queda de 36,8% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). O recuo reflete diretamente a nova tributação: desde junho de 2025, o IOF incide sobre aportes acima de R$ 600 mil por ano em planos do tipo VGBL — e o limite vale mesmo que o dinheiro seja distribuído entre diferentes seguradoras.
Para Vinicius Albernaz, sócio responsável pelo Mio, seguradora da Vinci Compass — gestora com R$ 361 bilhões sob gestão e assessoria, listada no exterior —, o momento é de desafio real, mas não de ruptura. A avaliação é de que o mercado está passando por uma reacomodação: investidores que antes faziam aportes grandes de uma só vez agora precisam planejar contribuições periódicas para evitar a incidência do imposto. "A medida não muda a importância do produto como ferramenta de planejamento no longo prazo", afirmou Albernaz.
O IOF afeta principalmente quem utilizava a previdência como instrumento de aporte concentrado — um perfil mais comum entre a alta renda. Para esse público, o impacto não é o abandono do produto, mas a mudança de estratégia: em vez de aportes pontuais e volumosos, a tendência é migrar para contribuições regulares ao longo do ano. Quem já investe com esse perfil de disciplina periódica sente menos o efeito da mudança.
Do lado positivo, o setor aposta em duas mudanças regulatórias recentes que devem ampliar a base de participantes. A primeira é a Lei 14.803/2024, que passou a permitir a escolha entre o regime progressivo ou regressivo de tributação no momento do resgate — e não mais apenas na contratação do plano. A flexibilidade era uma demanda antiga do mercado. A segunda mudança é a Resolução do Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) nº 60/2024, que autorizou a criação de planos corporativos no modelo *option-out*: o funcionário entra automaticamente no plano da empresa e só sai se pedir expressamente. Albernaz defende o modelo como padrão: "Funciona como um incentivo para aumentar a adesão à previdência."
O argumento tem base empírica. O Brasil tem hoje 11,2 milhões de pessoas investindo em previdência privada — em um país com mais de 214 milhões de habitantes, a penetração é baixa. O Mio, que atua com foco em previdência corporativa, trabalha atualmente com 20 empresas e impacta cerca de 15 mil trabalhadores. A casa enxerga nos planos empresariais o principal vetor de crescimento.
Outro gargalo apontado é a tecnologia. A previdência privada evoluiu menos digitalmente do que outros produtos financeiros, e as seguradoras enfrentam o desafio de sistemas legados pesados que travam a inovação. Albernaz reconhece que fintechs têm avançado no segmento corporativo, mas pondera: "Não adianta ter um aplicativo bonito se os serviços por trás não estiverem conectados com a tecnologia adequada."
No balanço geral, o diagnóstico do executivo é que o IOF criou fricção em um segmento específico do mercado — os grandes aportes pontuais — sem comprometer a viabilidade do produto. A indústria perde receita no curto prazo, mas a estrutura regulatória que está sendo construída aponta para um mercado potencialmente maior no médio e longo prazo.