Mercado Livre anuncia venda de antibióticos e GLP-1 e derruba ações de farmácias
O Mercado Livre vai vender antibióticos e canetas emagrecedoras GLP-1 — medicamentos que exigem receita médica. O anúncio derrubou 5,5% das ações da RD Saúde, dona das redes Raia e Drogasil, no mesmo pregão.
A farmácia própria da empresa em São Paulo começa a comercializar os produtos sob prescrição ainda em setembro. Em outubro, farmácias parceiras entram no marketplace da plataforma.
A entrada do Mercado Livre no segmento de medicamentos controlados coloca pressão direta sobre as grandes redes físicas, que dominavam esse mercado. Para o consumidor, mais competição pode significar preços menores — especialmente nos GLP-1, que chegam a custar centenas de reais por dose. O mercado já deu o veredicto: a ameaça às farmácias tradicionais é real.
O Mercado Livre anunciou que vai vender medicamentos com exigência de receita médica — e as grandes redes de farmácias sentiram o golpe imediatamente. As ações da RD Saúde, dona das redes Raia e Drogasil, caíram 5,5% no pregão do dia.
A expansão começa pela farmácia própria da empresa em São Paulo, que passa a comercializar produtos sob prescrição a partir deste mês. Em outubro, farmácias parceiras também poderão entrar no marketplace da plataforma. Entre os medicamentos incluídos estão antibióticos e as canetas emagrecedoras GLP-1 — como Ozempic e Wegovy — que têm alta demanda e preços elevados no mercado brasileiro.
A movimentação representa uma mudança relevante no varejo farmacêutico. Até aqui, o Mercado Livre atuava principalmente com produtos de venda livre. Entrar no segmento de medicamentos controlados é um passo que coloca a empresa em rota de colisão direta com as grandes redes físicas, que historicamente dominam esse mercado por conta das exigências regulatórias e da logística especializada.
Para quem compra remédios com frequência — especialmente os GLP-1, que chegam a custar centenas de reais por dose —, a entrada de um novo player com infraestrutura nacional pode significar mais competição e pressão sobre os preços.
A queda abrupta das ações das farmácias mostra que o mercado interpretou o anúncio como uma ameaça real ao modelo de negócio dessas redes. A regulação da Anvisa sobre venda online de controlados será o próximo ponto de atenção.
O Mercado Livre anunciou que vai começar a vender medicamentos que exigem retenção de receita médica — e o mercado reagiu na hora. As ações das grandes redes de farmácias despencaram no pregão, com a RD Saúde, controladora das redes Raia e Drogasil, registrando queda de 5,5% no dia.
O movimento representa uma expansão significativa do braço farmacêutico do Mercado Livre no Brasil. A companhia anunciou que sua farmácia própria em São Paulo passa a vender produtos sob prescrição a partir deste mês. Em outubro, o plano se amplia: farmácias terceiras poderão entrar na plataforma de marketplace da empresa, aumentando ainda mais o leque de produtos disponíveis.
O que chama atenção é o tipo de medicamento incluído nessa expansão. Entre os produtos que passarão a ser comercializados estão os antibióticos — medicamentos com venda controlada justamente para evitar uso indiscriminado e resistência bacteriana — e as canetas emagrecedoras à base de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, que explodiram em demanda nos últimos anos e hoje movimentam bilhões de reais no varejo farmacêutico brasileiro.
A entrada de um gigante do e-commerce nesse segmento é uma ameaça direta ao modelo de negócio das grandes redes físicas de farmácias. O setor farmacêutico de varejo sempre foi dominado por redes com forte presença de lojas e capacidade logística própria — barreiras que o Mercado Livre, com sua infraestrutura já consolidada de distribuição, pode superar com relativa facilidade.
Para o consumidor, a novidade pode significar mais competição e, em tese, preços mais baixos em medicamentos de alto custo — especialmente os GLP-1, que chegam a custar centenas de reais por dose. A conveniência de comprar pela internet, com entrega em casa, também é um fator que tende a atrair quem já usa a plataforma para outras compras.
O impacto nos papéis das farmácias mostra que o mercado leva o movimento a sério. A queda de 5,5% da RD Saúde em um único pregão reflete a percepção de que a competição no setor vai aumentar — e que as margens das redes tradicionais podem ser pressionadas.
O setor farmacêutico brasileiro movimenta dezenas de bilhões de reais por ano. A RD Saúde, por exemplo, é uma das maiores varejistas do país em número de lojas. A entrada do Mercado Livre nesse segmento mais restrito — medicamentos controlados — marca uma virada no mercado: até agora, a plataforma atuava principalmente com produtos de venda livre.
O próximo passo será acompanhar como a Anvisa e o restante do arcabouço regulatório vão lidar com a expansão. A venda de medicamentos controlados online exige protocolos específicos de prescrição e dispensação — e qualquer tropeço regulatório pode frear o avanço da empresa no setor.