Maior produtora de terras raras do mundo compra projeto mineiro em Minas por R$ 3,5 bilhões
A Lynas Rare Earths, maior produtora de terras raras do mundo fora da China, vai comprar o Projeto Caldeira, em Minas Gerais, por R$ 3,5 bilhões. O projeto, desenvolvido pela australiana Meteoric Resources, reúne o maior depósito conhecido desses minerais em argilas iônicas fora do território chinês.
Terras raras são elementos essenciais para carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa. A China controla cerca de 90% da produção mundial de ímãs fabricados com esses minerais, e empresas ocidentais buscam alternativas — o Brasil virou um dos principais destinos dessa corrida. Em abril, a americana USA Rare Earth já havia comprado a Serra Verde, única mina de terras raras em operação no país, por US$ 2,8 bilhões.
O negócio depende de aval do governo federal, exigido por lei aprovada em setembro. A conclusão está prevista para março de 2027.
A Lynas Rare Earths, maior produtora de terras raras fora da China, vai comprar 100% da Meteoric Resources e, com ela, o Projeto Caldeira, em Caldas, no Sul de Minas Gerais. O acordo foi avaliado em R$ 3,5 bilhões, pago em ações da Lynas.
Terras raras são 17 elementos químicos usados em ímãs de alto desempenho — presentes em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e sistemas de defesa. Caldeira reúne o maior recurso conhecido desses minerais em argilas iônicas fora da China, um tipo de depósito que permite extração com custo e impacto ambiental menores do que em minas de rocha dura.
O projeto tem reservas economicamente viáveis de 151 milhões de toneladas e produção projetada de 12.500 toneladas anuais de óxidos de terras raras por 23 anos. O investimento previsto é de US$ 498 milhões. A Licença Prévia ambiental já foi obtida; a próxima etapa é a Licença de Instalação.
Para a Lynas — com valor de mercado de cerca de R$ 50 bilhões — a aquisição amplia em 79% seus recursos minerais. Enquanto o negócio não fecha, a empresa vai financiar o desenvolvimento de Caldeira com até 110 milhões de dólares australianos em empréstimos à Meteoric.
A operação depende de aprovação do governo brasileiro, exigida pela Lei 15.506, de setembro de 2026, que criou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A lei também prevê até R$ 5 bilhões em créditos tributários para empresas que processarem os minérios no país. Lynas e Meteoric já iniciaram diálogo com o governo federal. A conclusão está prevista para março de 2027.
A China domina cerca de 90% da produção mundial de ímãs de terras raras. Empresas ocidentais correm para montar cadeias alternativas — e o Brasil, com dois grandes projetos adquiridos em menos de seis meses, tornou-se um dos principais destinos dessa corrida.
A Lynas Rare Earths, maior produtora de terras raras fora da China, anunciou um acordo para comprar 100% da Meteoric Resources — e, com ela, o Projeto Caldeira, em Caldas, no Sul de Minas Gerais. O valor: 968 milhões de dólares australianos, ou cerca de R$ 3,5 bilhões. O pagamento será feito integralmente em ações da Lynas, empresa listada na bolsa australiana.
Caldeira não é um projeto qualquer. Reúne o maior recurso conhecido de terras raras em argilas iônicas fora da China — um tipo de depósito onde os elementos ficam presos à argila, e não à rocha, o que permite extração por lavagem com solução salina, sem detonações ou processos químicos pesados. Isso reduz custos e impacto ambiental. Os depósitos desse tipo em operação estão praticamente todos no sul da China e em Mianmar. Caldas seria o primeiro relevante no mundo ocidental.
O projeto tem recurso mineral estimado em 1,631 bilhão de toneladas, com teor médio de 2.317 partes por milhão de óxidos de terras raras. As reservas economicamente viáveis totalizam 151 milhões de toneladas. Entre os elementos identificados, estão 802 mil toneladas de neodímio e praseodímio (NdPr) — base dos ímãs permanentes usados em motores de carros elétricos e turbinas eólicas — e 41 mil toneladas de disprósio e térbio (DyTb), terras raras pesadas que mantêm o desempenho dos ímãs em altas temperaturas.
O Estudo de Viabilidade Definitivo, publicado em julho, projeta investimento de US$ 498 milhões, vida útil de 23 anos e produção média anual de 12.500 toneladas de óxidos de terras raras. A Licença Prévia ambiental foi obtida em dezembro de 2025; a Licença de Instalação é a próxima meta.
Para a Lynas, a aquisição amplia em 79% seus recursos minerais e em 26% suas reservas. A companhia tem valor de mercado de cerca de 14 bilhões de dólares australianos (R$ 50 bilhões) e encerrou junho com 1,2 bilhão em caixa. Até o fechamento do negócio, vai emprestar até 110 milhões de dólares australianos à Meteoric para manter o desenvolvimento de Caldeira — 35 milhões liberados na assinatura e até 75 milhões adicionais se o acordo seguir vigente após seis meses.
A operação precisa de aprovação regulatória no Brasil, sob a Lei 15.506, sancionada em setembro, que criou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A lei exige autorização do governo federal para mudanças de controle em empresas detentoras de direitos de exploração desses minerais. Lynas e Meteoric afirmam já ter aberto diálogo com representantes do governo. O cronograma prevê assembleia de acionistas da Meteoric em janeiro de 2027 e conclusão da operação no início de março de 2027.
O negócio é o segundo grande movimento no setor em poucos meses. Em abril, a americana USA Rare Earth comprou a Serra Verde — única mina de terras raras em operação no Brasil — por US$ 2,8 bilhões. Juntas, as duas transações mostram que o Brasil emergiu como destino prioritário para empresas que tentam construir cadeias de terras raras fora da órbita chinesa. A China responde por cerca de 90% da produção mundial de ímãs de terras raras — vantagem construída na etapa de separação química dos elementos, a mais complexa e sensível da cadeia. A Lynas sinalizou que vai avaliar o potencial de instalar separação no Brasil, mas não assumiu compromisso de investimento.