Leilões de infraestrutura: Aegea vence Brusque e Azevedo retorna às concessões com Rota Mogiana
Os primeiros leilões de infraestrutura de 2026 aconteceram nesta sexta-feira com dois resultados relevantes: a Aegea ganhou o contrato de esgoto em Brusque (SC), com desconto de 17% na tarifa e outorga de R$ 60 milhões; e o consórcio Azevedo & Travassos com a Quimassa venceu a concessão da Rota Mogiana, rodovia de 520 km em São Paulo, pagando R$ 1,08 bilhão — ágio de 187.037% sobre o valor mínimo.
Para a Azevedo & Travassos, a vitória tem peso adicional: marca o retorno da empresa às concessões rodoviárias após uma fase turbulenta ligada à gestora Reag, investigada na Operação Carbono Oculto. O CEO Gabriel Freire afirmou que a concessão foi financiada com empréstimo-ponte a ser quitado via debêntures de infraestrutura.
Os resultados revelam forte apetite do setor privado por ativos de longo prazo no Brasil — e representam receita adicional para o governo paulista bem acima do esperado.
Os primeiros leilões de infraestrutura do ano foram realizados nesta sexta-feira, com disputas em saneamento e rodovias. Os vencedores foram a Aegea, no setor de esgoto, e a Azevedo & Travassos, em parceria com a Quimassa, numa concessão rodoviária de destaque em São Paulo.
A Aegea garantiu o contrato para serviços de esgoto em Brusque (SC) com um desconto de 17% na tarifa e outorga de R$ 60 milhões, superando GS Inima e o Consórcio CSH. A empresa é controlada pelas famílias Toledo e Vettorazzo, além de Itaúsa e do fundo GIC de Cingapura.
Mais expressivo foi o resultado da Rota Mogiana, concessão de 520 km do Governo de São Paulo. O consórcio da Azevedo & Travassos pagou R$ 1,08 bilhão de outorga — ágio de 187.037% sobre o valor mínimo —, bem à frente da segunda colocada, MC Brazil, com R$ 1,01 bilhão.
Para o CEO da Azevedo & Travassos, Gabriel Freire, a conquista é simbólica: representa o retorno da empresa às concessões rodoviárias após um período de crise associado à gestora Reag. A construtora, fundada em 1922, teve seu controle adquirido pela Reag em 2024, mas reconquistou sua independência após a operação policial Carbono Oculto atingir a gestora. "É página virada. A história da Azevedo é muito maior que esse período com a Reag", disse Freire.
O CEO confirmou que o financiamento para pagar a outorga já está equacionado: um empréstimo-ponte a ser quitado com emissão de debêntures de infraestrutura.
Os dois leilões ilustram o apetite do setor privado por ativos de longo prazo no Brasil — seja em saneamento, cujo marco legal de 2020 estabeleceu metas de universalização até 2033, seja em rodovias, onde o governo paulista captou valor muito acima do esperado.
Os primeiros leilões de infraestrutura do ano, realizados nesta sexta-feira, movimentaram dois setores estratégicos para a economia brasileira: saneamento básico e rodovias. As disputas envolveram grupos de peso e terminaram com vitórias da Aegea e do consórcio liderado pela Azevedo & Travassos — esta última marcando uma volta simbólica ao mercado de concessões rodoviárias após um período turbulento.
No saneamento, a Aegea — controlada pelas famílias Toledo e Vettorazzo, além de Itaúsa e do fundo soberano de Cingapura GIC — garantiu o contrato para serviços de esgoto no município catarinense de Brusque. A empresa ofereceu um desconto de 17% na tarifa e pagou uma outorga de R$ 60 milhões, superando propostas da GS Inima, empresa em processo de aquisição pela TAQA de Abu Dhabi, e do Consórcio CSH, da CS Infra. Para o consumidor de Brusque, o desconto tarifário representa impacto direto na conta mensal de saneamento.
O resultado mais expressivo do dia, contudo, veio no leilão da Rota Mogiana, concessão rodoviária de 520 km administrada pelo Governo de São Paulo. O consórcio formado pela Azevedo & Travassos e pela construtora Quimassa apresentou um lance com ágio de impressionantes 187.037%, aceitando pagar uma outorga de R$ 1,08 bilhão. A segunda colocada, a MC Brazil, ofertou R$ 1,01 bilhão — diferença que, nesse contexto, equivale a dezenas de milhões a mais para os cofres do governo paulista. As demais concorrentes, EPR (joint venture entre Perfin e Equipav) e Motiva, ficaram muito abaixo, com lances de R$ 560 milhões e R$ 180 milhões, respectivamente.
Para Gabriel Freire, CEO e controlador da Azevedo & Travassos, a vitória tem significado que vai além do negócio em si. "Era muito importante para nós participar e ganhar essa concessão. Esse leilão marca nossa volta às concessões de rodovias depois da saída da Reag do nosso capital", afirmou ao Brazil Journal.
A história recente da empresa carrega episódios delicados. Fundada em 1922, a centenária construtora teve seu controle adquirido pela Reag em 2024, por meio do fundo Camaçari, sendo o próprio Freire o principal acionista na época. A virada veio quando a gestora de João Carlos Mansur se tornou alvo da Operação Carbono Oculto, investigação contra o crime organizado. Com isso, Freire recomprou sua participação e os indicados da Reag — incluindo o próprio Mansur — deixaram o conselho da empresa.
As marcas do período foram reconhecidas pelo executivo. "Óbvio que houve danos relevantes, como a perda da concessão da Rota Agro. Tínhamos acabado de vencer e fomos desclassificados. Mas é página virada. A história da Azevedo é muito maior que esse período com a Reag. A companhia expurgou totalmente a participação deles", declarou Freire.
Para financiar o pagamento da outorga bilionária da Rota Mogiana, a empresa utilizará um empréstimo-ponte que será quitado com a emissão de debêntures de infraestrutura — instrumento comum nesse tipo de concessão e que frequentemente atrai investidores institucionais em busca de rendimentos isentos de imposto de renda para pessoas físicas.
Os dois leilões sinalizam movimento relevante no mercado de infraestrutura brasileiro no início de 2026: de um lado, avanço na universalização do saneamento básico, meta central da legislação aprovada em 2020; de outro, a disputa acirrada pelo pedágio de rodovias paulistas, com ágios astronômicos que indicam apetite robusto do setor privado por ativos de longo prazo.