Shell busca parceiro para capitalização da Raízen e evitar calote bilionário
A Shell está em busca de um terceiro investidor para participar da capitalização da Raízen, joint venture com a Cosan no setor de energia e combustíveis. A empresa não quer ultrapassar 50% do capital da Raízen para evitar ter que consolidar a dívida bilionária da companhia em seu balanço — daí a necessidade de um sócio adicional. O grupo japonês Mitsui foi sondado, mas recusou.
A Shell sinalizou disposição para injetar R$ 3,5 bilhões na Raízen, mas o aporte depende de contribuições da Cosan e do fundador Rubens Ometto. Os bancos credores, excluídos das negociações, enviaram cartas formais exigindo uma capitalização de até R$ 25 bilhões — e não receberam resposta. A falta de transparência elevou a tensão: sem informações, os bancos estrangeiros não conseguem nem atualizar suas matrizes. O risco de um calote ou recuperação judicial segue no radar caso uma saída negociada não seja encontrada rapidamente.
A Shell está procurando um terceiro sócio para integrar o processo de capitalização da Raízen, joint venture que divide com a Cosan nos setores de etanol, energia e distribuição de combustíveis. A busca ocorre porque a empresa não quer superar 50% do capital da companhia — limite que a obrigaria a consolidar a dívida bilionária da Raízen em seu balanço internacional.
O grupo japonês Mitsui foi um dos candidatos contatados, mas optou por não avançar. A Shell sinalizou disposição para aportar R$ 3,5 bilhões na Raízen, valor condicionado à participação da Cosan (R$ 1 bilhão) e do fundador Rubens Ometto (R$ 500 milhões). O problema central é que a Cosan não tem recursos suficientes para um aporte maior, daí a necessidade de um investidor adicional.
Enquanto as conversas avançam entre os controladores, os bancos credores — nacionais e estrangeiros — intensificaram a pressão. Sem ser chamados às negociações, eles enviaram cartas formais à Cosan e à Shell exigindo uma capitalização urgente, estimada entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. A última carta foi enviada no dia 22 de fevereiro e, segundo fontes, ainda não recebeu resposta formal.
"Há uma conversa para capitalizar a empresa, mas os bancos não estão sendo chamados para sentar nessa mesa", disse uma fonte ao Broadcast. Os bancos estrangeiros têm dificuldade adicional: precisam reportar às matrizes, mas não têm informações suficientes para fazê-lo.
O BTG Pactual, sócio da Cosan desde o ano passado, tem coordenado as iniciativas de solução. Uma das alternativas discutidas é a cisão da Raízen, com o BTG assumindo os negócios de distribuição. A proposta, no entanto, gerou desconforto entre credores. Os bancos aceitariam uma divisão, desde que ela seja negociada com todos os envolvidos — não imposta de forma unilateral. "Os bancos querem uma solução negociada", resumiu uma fonte. O silêncio dos controladores diante das cartas formais elevou a tensão e aumentou o risco de um desfecho mais drástico.
A Shell está em busca de um terceiro sócio para compor, ao lado da Cosan, um aporte de capitalização na Raízen — a joint venture dos dois grupos no setor de energia, etanol e distribuição de combustíveis. A negociação ocorre em um ambiente de tensão crescente com os bancos credores, que se queixam de estar sendo mantidos fora das conversas sobre o futuro financeiro da companhia.
A razão central para a busca de um novo participante é de natureza contábil: a Shell não quer ultrapassar 50% do capital da Raízen, limite a partir do qual seria obrigada a consolidar a dívida bilionária da empresa em seu balanço internacional. Com um sócio adicional diluindo a participação, esse risco é afastado. Hoje, Shell e Cosan dividem cada uma 44% da Raízen, com o restante disperso no mercado.
Entre os candidatos já contactados está o grupo japonês Mitsui, que, segundo fontes, optou por não avançar nas conversas. A busca por um substituto continua. A Shell, por sua parte, deixou claro a interlocutores que não deseja o pior cenário para a Raízen — como um calote ou uma recuperação judicial — e estaria disposta a injetar R$ 3,5 bilhões na empresa. Esse aporte, porém, está condicionado à participação da Cosan, que contribuiria com R$ 1 bilhão, e do fundador do grupo, Rubens Ometto, com mais R$ 500 milhões.
O problema é que a Cosan não tem os recursos necessários para um aporte mais robusto, o que explica a necessidade de um terceiro investidor. Enquanto isso, os bancos credores — nacionais e estrangeiros — elevaram o tom de preocupação. Sem ser chamados à mesa de negociações, eles passaram a enviar cartas formais à Cosan e à Shell, alertando para a necessidade urgente de uma capitalização estimada entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. A última carta foi enviada no domingo, 22 de fevereiro, e até a coleta das informações não havia recebido resposta formal dos controladores.
"Há uma conversa para capitalizar a empresa, mas os bancos não estão sendo chamados para sentar nessa mesa", disse uma fonte ao Broadcast. "A sensação era de estar sendo deixado de lado", acrescentou o diretor de um banco. O isolamento é especialmente problemático para os bancos estrangeiros, que precisam reportar às suas matrizes e enfrentam dificuldade para fazê-lo sem dados concretos das negociações.
A Raízen tem realizado algumas reuniões bilaterais com credores, mas sem ainda reunir todos em uma mesa comum. "Essa não é a situação ideal", afirmou um banqueiro ao Broadcast.
No centro das soluções ventiladas está o BTG Pactual, que se tornou sócio da Cosan no ano passado e tem conduzido as iniciativas em torno de uma saída para o impasse. Uma das alternativas discutidas é a cisão da Raízen, que levaria o BTG a ficar com os negócios de distribuição de combustíveis. Essa proposta, no entanto, gerou desconforto entre bancos e detentores de títulos de dívida.
Os credores até aceitariam uma divisão da empresa, mas desde que ela fosse negociada com todos os envolvidos. "Os bancos querem uma solução negociada", resumiu uma fonte. O que está em jogo é, portanto, não apenas a solvência da Raízen, mas a capacidade dos controladores de construir uma saída consensual antes que a pressão dos credores escale para medidas mais drásticas. O tempo é curto, e o silêncio da Cosan e da Shell diante das cartas dos bancos aumenta a tensão no mercado.