Fim da escala 6x1 pode custar até R$ 267 bilhões ao ano para empresas brasileiras
A proposta de acabar com a escala 6x1 e reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode custar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano às empresas brasileiras, segundo projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A diferença depende de como cada empresa optar por compensar as horas a menos — contratando mais trabalhadores ou pagando horas extras.
Os setores mais afetados são os intensivos em mão de obra, como construção civil e comércio. O setor produtivo alerta para três riscos colaterais: queda na atividade econômica, inflação e avanço da informalidade no trabalho.
Como contrapartidas, as entidades pedem desoneração da folha de pagamentos e negociação coletiva por setor. A proposta avança no Congresso impulsionada pela campanha de reeleição do presidente Lula, com as eleições de 2026 no horizonte.
A proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais — o fim da escala 6x1 — já tem um preço estimado pelo setor produtivo: entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano, dependendo de como as empresas optarem por compensar a redução de horas. Os dados são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O valor menor corresponde ao cenário em que as empresas contratam novos trabalhadores para manter o mesmo volume de horas trabalhadas — um acréscimo de 4,7% na folha de pagamentos. O maior se aplica ao cenário de horas extras generalizadas, com alta de 7% nos gastos trabalhistas.
Os setores com maior exposição são os intensivos em mão de obra, especialmente a construção civil e o comércio. Além do custo direto às empresas, o setor produtivo aponta três riscos: redução da atividade econômica, pressão sobre os preços e avanço da informalidade no mercado de trabalho.
Para reduzir os impactos, as entidades empresariais defendem contrapartidas. As mais discutidas são a desoneração da folha de pagamentos e a flexibilização da medida via negociação coletiva entre sindicatos e empregadores, permitindo adaptação por setor.
O tema ganhou força política com a proximidade das eleições de 2026. A redução da jornada é uma bandeira da campanha de reeleição do presidente Lula. No Congresso, o Senado aprovou a proposta na CCJ e a Câmara a encaminhou à comissão responsável.
O movimento acompanha uma tendência internacional. Chile e Colômbia estão em processo gradual de redução de jornada, e o México aprovou mudança similar em fevereiro deste ano. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que a maioria dos países de alta renda já adota a jornada de 40 horas semanais — padrão que o Brasil ainda não atingiu formalmente.
O nó da discussão no Brasil é financeiro: como viabilizar a transição sem elevar a informalidade, aumentar preços ou prejudicar a competitividade das empresas que mais dependem de trabalho intensivo.
A proposta de redução da jornada de trabalho do modelo 6x1 para o 5x2 — de 44 para 40 horas semanais — ganhou novo fôlego no debate econômico e político brasileiro, e os setores produtivos já estão tentando dimensionar o tamanho do estrago que ela pode provocar nas finanças das empresas.
Os números projetados são expressivos. Segundo estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o custo adicional com gastos trabalhistas para empresas da agropecuária, indústria, comércio e serviços pode chegar a R$ 178,2 bilhões por ano — caso as empresas optem por contratar novos trabalhadores para compensar a redução de horas. Esse valor representa uma elevação de 4,7% no gasto total com empregados formais, estimado com base nos dados da folha de pagamentos de 2024.
O impacto sobe ainda mais se as empresas escolherem o caminho das horas extras. Nessa hipótese, o custo adicional anual alcançaria R$ 267,2 bilhões, uma alta de 7% no gasto com empregados formais, de acordo com a mesma projeção da CNI.
Os setores mais expostos são justamente aqueles intensivos em mão de obra. A construção civil e o comércio lideram o ranking de maior aumento percentual de custos trabalhistas em razão da mudança de escala — duas atividades que empregam milhões de trabalhadores e têm margens operacionais historicamente apertadas.
Além do impacto fiscal direto nas empresas, os setores apontam três riscos macroeconômicos associados à aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional): redução da atividade econômica, pressão inflacionária e avanço da informalidade no mercado de trabalho. O raciocínio é que, diante de custos mais altos, parte dos empregadores pode reduzir contratações formais, migrar trabalhadores para regimes informais ou repassar os custos adicionais aos preços.
Para tentar atenuar esses riscos, representantes da indústria, do comércio e dos serviços estão se articulando em torno de alternativas. As mais citadas até agora são a desoneração da folha de pagamentos — redução dos encargos patronais — e a possibilidade de flexibilizar a medida por meio de negociação coletiva entre sindicatos e empresas, o que permitiria que cada setor adaptasse a transição conforme suas particularidades.
O debate ocorre em um contexto político específico. A redução da jornada virou uma bandeira da campanha de reeleição do presidente Lula e ganhou tração no Congresso com a proximidade das eleições de 2026. No Senado, uma PEC que reduz a jornada para até 36 horas semanais foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na Câmara, o presidente Hugo Motta encaminhou a proposta à comissão competente.
O debate não é exclusivamente brasileiro. Entre os anos 1990 e o início dos anos 2000, países europeus aprovaram medidas similares. Mais recentemente, Chile e Colômbia adotaram reduções graduais de jornada — o Chile está em processo de redução de 45 para 40 horas (a ser concluído em 2028) e a Colômbia de 48 para 42 horas (concluída em 2026). O México aprovou em fevereiro deste ano a redução de 48 para 40 horas, com implementação prevista até 2030. Em todos esses casos, a transição foi gradual e sem redução salarial.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) registra que a maioria dos países de alta renda já convergiu para 40 horas semanais, enquanto na América Latina ainda predominam limites legais de 48 horas. O Brasil, com limite de 44 horas, está em posição intermediária nesse cenário.
O principal ponto de tensão no Brasil permanece aberto: como financiar a transição sem ampliar a informalidade, pressionar preços ou comprometer a competitividade dos setores mais dependentes de mão de obra. As respostas a essa pergunta — e as negociações em torno delas — devem definir o ritmo e o formato da eventual aprovação da proposta no Congresso.