Guerra no Oriente Médio derruba bolsas, dispara petróleo acima de US$ 100 e força reunião de emergência do G7
A guerra entre EUA, Israel e Irã empurrou o petróleo acima de US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022 — chegando a US$ 119,50 no pico desta segunda-feira. O motivo central é o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial. Bolsas asiáticas e europeias despencaram. No Brasil, o dólar subia 0,46%, a R$ 5,268.
Os ministros de finanças do G7 se reuniram em caráter emergencial para discutir a liberação de reservas estratégicas de petróleo — medida usada pela última vez após a invasão da Ucrânia em 2022. Nos EUA, a gasolina já subiu 11% na última semana.
Para o leitor brasileiro, o efeito prático é direto: petróleo mais caro pressiona combustíveis e inflação; dólar mais alto encarece importados. Quanto mais longa a guerra, maior o impacto.
O décimo dia da guerra entre EUA, Israel e Irã produziu consequências diretas nos mercados globais nesta segunda-feira (9). O barril de petróleo tipo Brent ultrapassou US$ 100 pela primeira vez desde 2022, chegando a tocar US$ 119,50 no pico da manhã, antes de recuar para cerca de US$ 107. A alta representa avanço de até 25% em relação à semana anterior.
O principal motivo é o colapso do tráfego pelo Estreito de Ormuz — passagem por onde transita normalmente um quinto do petróleo mundial. Desde o início do conflito, praticamente nenhum navio tem cruzado o estreito. Com os tanques se enchendo e sem saída para exportação, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos já estão reduzindo sua produção.
As bolsas despencaram: o Nikkei japonês caiu mais de 5%, o Kospi sul-coreano recuou 6% — com paralisação temporária das negociações — e as principais bolsas europeias recuaram entre 1,6% e 2%. No Brasil, o dólar subia 0,46%, operando a R$ 5,268 na venda.
Diante do cenário, os ministros de finanças do G7 convocaram reunião de emergência para discutir, entre outras medidas, a liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo pela Agência Internacional de Energia (AIE) — mecanismo usado pela última vez em 2022, após a invasão da Ucrânia. Três membros do grupo, incluindo os EUA, já sinalizaram apoio.
O presidente Trump minimizou as preocupações, afirmando nas redes sociais que o aumento de preços é "um preço muito pequeno a se pagar pela segurança". Nos EUA, a gasolina já subiu 11% na última semana, chegando a US$ 3,32 por galão.
Para o Brasil, o cenário representa pressão sobre combustíveis e inflação: petróleo caro encarece frete, energia e produção, enquanto o dólar mais forte pressiona os preços de importados. A duração do conflito é a principal incógnita — e quanto mais se prolongar, maior o impacto nas economias ao redor do mundo.
O décimo dia da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã produziu seu impacto mais visível nos mercados globais: o barril de petróleo tipo Brent ultrapassou US$ 100 pela primeira vez desde 2022, chegou a tocar US$ 119,50 no pico da manhã desta segunda-feira (9) e recuou para cerca de US$ 107 ao longo do pregão. O West Texas Intermediate (WTI), referência americana, seguiu trajetória semelhante e operava em torno de US$ 104. A alta representa um avanço de até 25% em relação à semana anterior.
A disparada do petróleo reflete o quase colapso do tráfego pelo Estreito de Ormuz, passagem por onde transita normalmente cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo. Desde o início dos ataques americanos e israelenses ao Irã, praticamente nenhum navio passou pelo estreito. Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos estão reduzindo sua produção porque os tanques de armazenamento estão se enchendo sem ter para onde escoar — o petróleo não consegue ser exportado.
O efeito cascata chegou rapidamente a outros mercados. As bolsas asiáticas registraram quedas severas: o índice Nikkei 225 do Japão fechou em baixa de mais de 5%, enquanto o sul-coreano Kospi chegou a cair mais de 8%, forçando uma paralisação de 20 minutos nas negociações por meio do chamado "circuit breaker" — mecanismo de segurança acionado para conter vendas em pânico. O Kospi encerrou o dia com queda de 6%. Na Europa, o alemão DAX recuou 1,6% e o francês CAC 40, 2%. Em Londres, o FTSE 100 caiu 1,3%, embora as ações de petrolíferas como BP e Shell tenham subido. No Brasil, o dólar avançava 0,46% ante o real pela manhã, operando a R$ 5,268 na venda.
Diante do cenário, os ministros de finanças dos países do G7 — que reúne as sete maiores economias do mundo — convocaram uma reunião de emergência para a tarde desta segunda-feira, sob a presidência rotativa da França. Segundo o Financial Times, a pauta inclui a possibilidade de uma liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo, mecanismo administrado pela Agência Internacional de Energia (AIE). Seria a primeira ação do tipo desde 2022, quando a medida foi acionada após a invasão russa da Ucrânia. Três países do G7, incluindo os Estados Unidos, já manifestaram apoio à liberação conjunta, segundo fontes familiarizadas com as negociações.
O presidente americano Donald Trump, que fez campanha prometendo reduzir o custo de vida dos americanos, minimizou publicamente as preocupações. Em postagem em sua rede Truth Social, ele afirmou que o aumento temporário dos preços é "um preço muito pequeno a se pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo". Dados da associação de motoristas AAA mostraram que o preço médio da gasolina nos EUA subiu 11% na semana passada, chegando a US$ 3,32 por galão.
Para o analista Adnan Mazarei, do Instituto Peterson de Economia Internacional, a alta era esperada. "As pessoas estão percebendo que isso não vai acabar tão cedo", disse ele, acrescentando que os objetivos declarados pelos EUA estão "se tornando cada vez mais irrealistas". Paul Gooden, da gestora NinetyOne Asset Management, alertou que se o preço atingir a faixa de US$ 120 a US$ 150 por barril, pode ocorrer o chamado "demand destruction" — ponto em que consumidores e empresas são forçados a cortar o consumo de petróleo.
O impacto vai além das bombas de gasolina. O aumento nos custos de energia eleva preços em toda a cadeia produtiva — do frete ao plástico — e pode pressionar a inflação globalmente, o que, por sua vez, reduziria o espaço para cortes nas taxas de juros pelos bancos centrais ao redor do mundo. Para o Brasil, que importa derivados e tem sua moeda sensível ao apetite global por risco, a combinação de petróleo caro e dólar forte representa pressão sobre combustíveis e inflação nos próximos meses.