Guerra no Oriente Médio faz petróleo superar US$ 109 e bolsas despencam
O petróleo ultrapassou US$ 109 por barril neste domingo (8), com alta de mais de 18% — o maior patamar em quatro anos. A disparada acontece porque o Estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% do petróleo mundial, está praticamente fechado desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã. Petroleiros evitam a rota por medo de ataques, barris se acumulam sem escoamento e grandes produtores como Kuwait e Iraque estão cortando produção.
O anúncio de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã — filho do aiatolá assassinado — aumentou a percepção de que o conflito não terá resolução rápida, acelerando ainda mais a alta.
As bolsas reagiram com quedas acentuadas: futuros do Dow Jones caíam cerca de 2%, e mercados asiáticos abriram com quedas de até 6%. O chamado "índice do medo" (VIX) disparou 24%.
Para o brasileiro, a alta do petróleo pressiona os preços de combustíveis e de produtos que dependem de derivados, como fertilizantes e transporte — o que pode alimentar inflação nos próximos meses.
O petróleo voltou a superar US$ 109 por barril neste domingo (8), com alta de mais de 18% em um único dia — o maior patamar em quatro anos. A disparada reflete a combinação entre a escalada do conflito no Oriente Médio e o fechamento praticamente total do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
A alta foi impulsionada por dois gatilhos simultâneos: a intensificação dos ataques de Israel a depósitos de petróleo em Teerã e o anúncio de que Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá assassinado Ali Khamenei, foi escolhido como novo líder supremo do Irã — sinal interpretado pelos mercados como provável continuidade da linha política dura do regime.
Com petroleiros evitando o Estreito de Ormuz por medo de ataques, os barris se acumulam sem escoamento e grandes produtores do Golfo começaram a cortar produção. O Kuwait anunciou reduções preventivas na extração e no refino. No Iraque, a produção nos principais campos do sul caiu 70% — de 4,3 milhões para 1,3 milhão de barris por dia, segundo fontes do setor.
O impacto nos mercados financeiros foi imediato. Os futuros do Dow Jones recuavam cerca de 966 pontos (queda de 2%), enquanto S&P 500 e Nasdaq cediam em torno de 1,6%. Na Ásia, as bolsas abriram com quedas de até 6%. O índice VIX, que mede a volatilidade esperada, disparou 24%.
"Já não se trata apenas de um fechamento direto do Estreito de Ormuz, mas de uma interrupção que começa a se espalhar por toda a região", afirmou Dave Mazza, CEO da Roundhill Financial.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que a retomada do tráfego no Estreito deve ocorrer em semanas, não meses. Trump, por sua vez, classificou a alta temporária do petróleo como um "preço pequeno a pagar" pela remoção da ameaça nuclear iraniana.
O cenário coloca investidores diante de um dilema: de um lado, o risco de nova pressão inflacionária pelo petróleo; de outro, sinais de desaceleração econômica nos EUA que poderiam favorecer cortes de juros pelo Federal Reserve.
O conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou na segunda semana e já deixou uma marca profunda nos mercados globais de energia. O preço do petróleo ultrapassou US$ 109 por barril neste domingo (8), voltando ao patamar mais alto em quatro anos e disparando mais de 18% em um único dia de negociações — o maior salto percentual desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.
O barril do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, saltou quase 20%, chegando a US$ 109,58, enquanto o Brent, referência internacional, avançou 18%, a US$ 109. Só na semana anterior, o petróleo americano já havia acumulado alta de cerca de 35% — a maior desde o início das negociações de contratos futuros, em 1983.
O gatilho imediato para a disparada foi duplo: a intensificação dos ataques de Israel a depósitos de petróleo em Teerã e a confirmação, pela TV estatal iraniana, de que Mojtaba Khamenei — filho do aiatolá Ali Khamenei, morto nos primeiros dias do conflito — foi escolhido como novo líder supremo do Irã. A escolha, vista pelos mercados como sinal de continuidade ou até endurecimento da linha política iraniana, reduziu as expectativas de resolução rápida do conflito.
O pano de fundo estrutural agrava o cenário. O Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do consumo global de petróleo — segue praticamente fechado ao tráfego de petroleiros, que evitam a rota por receio de ataques. Com os barris se acumulando sem possibilidade de escoamento, países do Golfo começaram a cortar produção preventivamente.
O Kuwait, quinto maior produtor da Opep, anunciou reduções na extração e no refino. No Iraque, segundo maior produtor do cartel, a situação é ainda mais grave: a produção nos três principais campos do sul do país caiu 70%, de 4,3 milhões de barris por dia para apenas 1,3 milhão, segundo fontes da indústria ouvidas pela Reuters. Os Emirados Árabes Unidos informaram estar "gerenciando cuidadosamente" os níveis de produção offshore diante da limitação de espaço para armazenamento.
O impacto chegou imediatamente a Wall Street. Os contratos futuros ligados ao Dow Jones Industrial Average caíam cerca de 966 pontos (queda de 2%), enquanto os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 recuavam aproximadamente 1,6% cada. Na Ásia, os mercados abriram em queda acentuada: o Nikkei 225, do Japão, caiu mais de 5%; o Kospi, da Coreia do Sul, recuou mais de 6%; e o ASX 200, da Austrália, cedeu quase 4%.
O índice VIX — conhecido como o "índice do medo" por medir a volatilidade esperada dos mercados — disparou 24,1%. O índice do dólar (DXY) se valorizou 0,6%, movimento típico em momentos de aversão ao risco global.
Para além do petróleo, analistas alertam para um efeito cascata. A alta pressiona também o gás natural e produtos derivados, como combustível de aviação e insumos para fertilizantes, o que pode alimentar uma nova rodada inflacionária global.
"Já não se trata apenas de um fechamento direto do Estreito de Ormuz, mas de uma interrupção no abastecimento que começa a se espalhar por toda a região", afirmou Dave Mazza, CEO da Roundhill Financial, em declaração à Bloomberg. Rick Rieder, diretor de investimentos da BlackRock, classificou os mercados como "claramente nervosos" diante da incerteza sobre a duração e o impacto econômico do conflito.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, tentou amenizar as preocupações ao afirmar que o tráfego no Estreito de Ormuz deve ser retomado nas próximas semanas. "Ainda estamos longe da normalidade, mas isso deve levar algumas semanas, não meses", disse ele em entrevista à CNN. Já o presidente Donald Trump minimizou a alta ao declarar que uma elevação temporária dos preços seria um "preço pequeno a pagar" pela remoção da ameaça nuclear iraniana.
Investidores aguardam ainda dados relevantes previstos para a semana, como indicadores de inflação, emprego e crescimento nos Estados Unidos, que podem influenciar as expectativas sobre política monetária do Federal Reserve — criando um dilema claro entre o risco de nova pressão inflacionária pelo petróleo e os sinais de desaceleração econômica que sustentam a tese de cortes de juros.